“Argentina denunciará na ONU a militarização do Atlântico Sul”
A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, anunciou nesta terça-feira a desclassificação do chamado “Informe Rattenbach”, um relatório elaborado pela ditadura militar após a guerra com a Grã-Bretanha pelas Ilhas Malvinas e reclamou mais uma vez que a Inglaterra se sente a negociar.
Cristina Kirchner assinou o decreto pelo qual dispõe o “levantamento do sigilo político e militar” imposto pela última ditadura em 1982 em referência ao conflito militar nas ilhas Malvinas, decisão que permitirá aceder aos dados contidos nesse documento, dois meses antes da comemoração do 30º aniversário dessa guerra.
Durante o ato realizado na Casa Rosada (sede do Executivo) e diante de funcionários e ministros de seu governo e líderes opositores, além de veteranos da guerra das Malvinas e entidades humanitárias, a Chefe de Estado afirmou que o decreto para desclassificar a investigação sobre a condução da guerra de Malvinas é "claramente um ato de política de Estado", que fortalece os conceitos de "democracia e soberania".
A presidenta afirmou sentir-se "hoje, mais do que nunca, a presidenta dos 40 milhões de argentinos". “Não podem atribuir ao povo argentino” a decisão da ditadura de começar a guerra das Malvinas e usar esse argumento “como pretexto para se negar a cumprir o que ordenam as Nações Unidas, que é sentar-se” a negociar a soberania das ilhas, apontou em relação ao governo britânico..
Cristina Kirchner reivindicou a pertença das Malvinas à Argentina por questões "históricas, geográficas e até de zoologia". "Deveríamos lembrar mais dos dias 1 e 2 de janeiro, quando se fazem 183 anos da usurpação inglesa das Malvinas; lembrar que em 1806 foram repelidas as invasões inglesas a Buenos Aires e que em 1845 conseguimos vencer o bloqueio anglo-francês" no rio da Prata, sublinhou a presidenta.
“As Malvinas deixaram de ser uma causa dos argentinos, para se transformar em uma causa latino-americana e global, porque estão militarizando o Atlântico Sul mais uma vez", disse a líder argentina, quem sentenciou que “é um anacronismo no século XXI continuar mantendo colônias” e acusou Londres de estar “depredando o petróleo e pesca” argentinos.
"Estão militarizando o Atlântico Sul... Não podemos interpretar de nenhuma outra maneira o envio de um moderno e imenso destroyer, acompanhado do herdeiro real (príncipe William), o qual gostaríamos de ver em roupas de civil", expressou.
Por esse motivo, a Chefe de Estado argentina afirmou que deu instruções ao Ministro das Relações Exteriores, Héctor Timerman, para que na próxima Assembleia Anual da Organização das Nações Unidas denuncie a militarização do Atlântico Sul.



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