"Com rigor jurídico e diplomático", Argentina continuará reclamando pelas Malvinas
A afirmação foi realizada pela presidenta argentina, Cristina Fernández de Kirchner, quem destacou que "os apoios internacionais recebidos são parte de um longo trabalho". Também se referiu às declarações do primeiro ministro britânico, David Cameron, e considerou que decorrem da falta de argumentos da Grã Bretanha em torno à questão da soberania das Ilhas Malvinas.
Em discurso oferecido na Casa Rosada (sede do Executivo) nesta quarta-feira, Cristina Kirchner também assinalou que "o Comitê de Descolonização da ONU tem 16 processos de colonização e, entre eles, o mais emblemático é o das Malvinas".
A chefe de Estado argentina destacou que "a resposta furibunda da Inglaterra obedeceu a uma questão política interna, enquanto na Argentina aconteceu o mesmo com a ditadura (militar, entre 1976 e 1983), quando quis encobertar a tragédia de 30 mil detentos-desaparecidos".
Por outra parte, na que foi sua primeira aparição pública após a licença de vinte dias, devido a uma cirurgia de tireoide, Cristina Kirchner anunciou que deu indicações ao ministro da Defesa, Arturo Puricelli, para que "conforme uma comissão que proceda à abertura e o conhecimento público do Relatório Rattenbach", uma investigação independente realizada após a guerra pela soberania das Ilhas Malvinas, em 1982.
"A história demonstra claramente que essa guerra não foi uma decisão do povo argentino, mas uma decisão de uma junta militar desesperada por encobertar uma realidade que tinha sido desvendada por um grupo de mulheres de lenço branco que procuravam seus filhos e seus netos", expressou Cristina em referência às Mães e Avós da Praça de Maio.
A Chefe de Estado afirmou que a reclamação de soberania Argentina sobre as Malvinas "também envolve a defesa de nossos recursos naturais, porque estão depredando nosso petróleo e nossa pesca".
"Não escutei nenhuma ONG ambientalista fazer uma crítica ao Reino Unido sobre o que estão fazendo nas Malvinas. A verdade é que gostaria de que defendessem, com a mesma força e sentimento que defendem tantas causas nobres, também isto", assinalou Cristina Fernandez.
"Adoro que defendam baleias porque são adoráveis, mas também que defendam as lulas e as outras espécies que estão depredando", acrescentou a presidenta da Argentina.